
Trancoso, Bahia
“Marina queria se redescobrir depois de uma travessia longa. Caminhamos pela areia até a luz dourar. As fotos guardam o silêncio daquela tarde.”
Marina chegou a Trancoso depois de um ano que ela mesma chamava de “travessia”. Não buscava poses, nem fotos perfeitas — buscava se reencontrar diante da câmera, talvez pela primeira vez sem precisar fingir nada.


Caminhamos descalças pela areia ainda fresca da manhã. Falamos pouco. Em alguns momentos, ela apenas olhava o mar, e eu apenas olhava ela. A luz, generosa, fazia o resto: pousava nos ombros, atravessava o vestido de linho, desenhava contornos que ela tinha esquecido que existiam.
“Caminhamos descalças pela areia ainda fresca da manhã.”


No fim da tarde, quando o sol começou a se inclinar, Marina riu de algo que nem lembramos mais — e foi ali, naquele riso solto, que entendi qual seria a fotografia central deste ensaio. Não era um retrato dela. Era um retrato do alívio.
Que estas imagens sejam, para sempre, o registro do dia em que Marina voltou pra casa dentro dela mesma.
Fotografia & direção · Polina Malinina · Trancoso, Bahia